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Presidente anuncia 500 milhões de dólares para acelerar construção de escolas

O Governo angolano vai mobilizar, nos próximos dois anos, um investimento de 500 milhões de dólares destinado à construção e reabilitação de escolas do ensino básico. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, durante a abertura da Conferência Nacional sobre Capital Humano.

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O chefe de Estado sublinhou que milhares de crianças continuam fora do sistema de ensino, uma realidade que exige maior investimento em infraestruturas educativas, mas também na formação e contratação de professores.

Em 2024, o Executivo já disponibilizou mais de 200 milhões de dólares para erguer novas escolas públicas nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo, com o objectivo de reduzir o défice de equipamentos.

João Lourenço destacou que os progressos no acesso à educação ao longo dos 50 anos de independência são “incontestáveis”, recordando que a taxa de analfabetismo desceu de 85 por cento para os actuais 24 por cento da população acima dos 15 anos. Ainda assim, reconheceu que persistem “enormes desafios”, sobretudo nas comunidades rurais e entre as mulheres.

Segundo o Presidente, cerca de 85 por cento das escolas públicas já oferecem a classe de iniciação, mas a taxa de conclusão do ensino primário não ultrapassou os 61 por cento no último ano lectivo. No ensino secundário, a frequência tem aumentado, mas as taxas de escolarização continuam baixas — 61 por cento no 1.º ciclo, 35 por cento no 2.º ciclo e apenas 8 por cento no ensino superior.

Relativamente ao ensino técnico-profissional, João Lourenço salientou a necessidade de reforçar a oferta formativa e melhorar as condições de ensino, apontando o Programa de Revitalização do Ensino Técnico-Profissional como exemplo de resposta a esta carência.

O Presidente referiu ainda avanços nos serviços de saúde, com impacto na redução da mortalidade infantil e no aumento da esperança de vida, mas alertou para vulnerabilidades persistentes da economia, agravadas pela dependência do petróleo.

A aposta no capital humano inclui também programas de bolsas de estudo. Em 2024, foram atribuídas 823 bolsas a licenciados e mestres angolanos com elevado desempenho académico para frequentar universidades de referência a nível internacional.

A Conferência Nacional sobre Capital Humano, que decorre até sábado, reúne mais de dois mil participantes angolanos e especialistas de países como Portugal, Cabo Verde, Moçambique, Gana e África do Sul, distribuídos por 12 painéis e 36 temas.